O seu carrinho

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🌄 O que poderemos descobrir e observar nesta caminhada... preparamos uma lista de Geositios, Fauna e Flora que poderá ser avistada ao longo do percurso.

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🟡 Brandas / Currais
🔵 Pontos de água
⚫️ Miradouros
🟠 Formações Rochosas

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Geositios


Branda da Bouça dos Homens

A Bouça dos Homens, situada na freguesia da Gavieira, no coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), é um local com grande valor histórico, cultural e natural. O nome “Bouça” significa um terreno de mato ou pastagem comunitária, e “dos Homens” refere-se ao facto de ter sido tradicionalmente usada pelos habitantes das Brandas e Inverneiras da Gavieira sobretudo como área de cultivo e pastoreio.

🏔️ Contexto histórico e etnográfico

A Bouça dos Homens faz parte de um sistema ancestral de ocupação sazonal da montanha muito característico da Peneda-Gerês.
Os habitantes da Gavieira e aldeias vizinhas viviam em dois lugares distintos ao longo do ano:
• No inverno, desciam para as inverneiras, zonas mais abrigadas e de clima mais ameno.
• No verão, subiam para as brandas, onde cultivavam e pastoreavam os animais nos prados de altitude.

A Bouça dos Homens é uma dessas brandas, uma das mais conhecidas e melhor preservadas da Peneda e representa o modo de vida tradicional das populações serranas que dependiam do gado e da agricultura de montanha.

⛪ Arquitetura e traços rurais

Na Bouça dos Homens encontram-se espigueiros de granito, currais, casas de pedra cobertas a colmo ou lousa, e caminhos antigos em calçada granítica.
Essas construções eram erguidas de forma comunitária e usadas por várias famílias, simbolizando o espírito de entreajuda típico destas comunidades.

🐄 Atividades tradicionais

A economia da Bouça dos Homens girava em torno:
• Da criação de gado autóctone, como a vaca cachena, os cavalos garranos e as cabras bravas;
• Do cultivo de cereais e batatas em pequenas leiras;
• Da produção de mel e ervas aromáticas.

Ainda hoje, o local é usado para pastoreio e serve como ponto de passagem para caminhantes e pastores.

🌿 Ambiente natural

Inserida entre a Serra da Peneda e a Serra do Soajo, a Bouça dos Homens oferece paisagens de grande beleza, com vista para:
• A Branda da Gavieira,
• Castro Laboreiro,
• As lagoas e cascatas da Peneda,
• E, em dias claros, parte da Galiza.

É uma zona rica em biodiversidade, onde é comum observar águia, corço, garrano e lobos-ibéricos.

🧭 Curiosidades
• A Bouça dos Homens é também o ponto de partida de vários trilhos pedestres, como o Trilho da Peneda ao Outeiro Alvo e troços do GR50 – Grande Rota do PNPG.
• Atualmente, há casas de turismo rural recuperadas com respeito pela traça original, o que mantém viva a memória do local.


Outeiro Alvo

🗼 A torre de vigia, situada no Alto do Outeiro Alvo, a 1314 m de altura. Neste local podemos contemplar uma paisagem excepcional de 360º, com destaque para o vale do Rio Peneda, que mais abaixo se junta com o Rio Pomba, mas especialmente pela vista para norte, com Lamas de Mouro lá ao fundo, enquadrada pelas distantes serras galegas.

🗻 O cume está localizado entre as freguesias de Gavieira no concelho de Arcos de Valdevez e Lamas de Mouro no concelho de Melgaço.

Esta montanha forma juntamente com Penameda um maciço montanhoso longo e estreito que se estende desde Lamas de Mouro a norte até perto das aldeias de Rouças e Tibo a sul. O maciço é granítico, íngreme e muito rochoso, composto de inúmeras fragas e penedias.

Está separado da serra do Soajo a sudoeste pelo rio Pomba ou rio da Veiga e a noroeste pelos rios Moadoira e Mouro. A nordeste está separado da restante Peneda pelo rio Mouro. A este e sudeste está limitado pelo vale do rio Peneda.

📐 Com uma altitude de 1314 metros e uma proeminência topográfica de 268 metros esta montanha é a 33ª mais alta de Portugal Continental e 55ª mais proeminente.
Esta é também a 5ª montanha mais alta do distrito de Viana do Castelo e a 9ª mais proeminente.


Curral do Colado da Fonte

🐂 O Curral do Colado da Fonte é um dos recantos mais autênticos e pouco conhecidos da Serra da Peneda, inserido no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Situado nas encostas que descem das faldas da Penameda, este curral representa de forma exemplar a antiga relação entre o ser humano e a montanha, um espaço de pastoreio, abrigo e convivência com a natureza em estado puro.

🏞️ Localização e paisagem:
• O curral encontra-se numa zona elevada e abrigada, entre afloramentos graníticos e pequenas nascentes de água cristalina, uma das quais dá nome ao local, a “Fonte” que alimenta o gado e refresca os viajantes.
• Dali avistam-se as brandas da Bouça dos Homens, as faldas da Penameda e o vale do Rio da Pomba, formando um cenário imersivo de montanha granítica.
• A paisagem é marcada por urzes, giestas e carquejas, com pequenas manchas de carvalho-negral e bétulas em zonas mais húmidas.

🐂 Usos tradicionais:
• Os currais eram estruturas usadas pelos pastores para recolher o gado, vacas cachenas, cabras e ovelhas durante a noite ou em períodos de descanso.
• No Colado da Fonte, ainda se podem observar os muros de pedra seca, abrigos rústicos e vestígios das antigas choupanas de pastores.
• Estes locais faziam parte do sistema agro-pastoril das brandas e inverneiras, em que as populações alternavam entre as aldeias do vale e os pastos de altitude consoante a estação do ano.

🌄 Valor ecológico e cultural:
• A tranquilidade e o isolamento do curral fazem dele um refúgio para a fauna montanhosa é possível observar corços, águia-da-asa-redonda, javalis e até sinais de lobo-ibérico.
• Representa também um património etnográfico vivo, testemunho de uma forma de vida adaptada ao ritmo da serra e às suas exigências.

📸 Hoje:
• O Curral do Colado da Fonte é um ponto de passagem em alguns percursos de montanha da Trekkin pela Serra da Peneda, um local perfeito para repousar, escutar o som da água e sentir o silêncio ancestral da serra.


🏔️ A Penameda

A Penameda alude ao aspeto desta pena ou penha (rocha ou penhasco) em forma de meda (monte cónico de palha), pois trata-se da mais importante forma geológica com aspeto de cúpula (doma) na serra da Peneda, representativa do tipo de relevo provocado pela erosão diferencial no maciço granítico da Peneda-Gerês. Penameda tem uma altitude de 1268m e pode ser visitada através do trilho PR2 N Peneda.

Este geossítio pode ser observado a partir do santuário da Sra. da Peneda e das localidades em redor, tais como Bouça dos Homens, S. Bento do Cando e Gavieira, dado ser um topo montanhoso.

🏔️ Penameda é uma montanha granítica situada no concelho de Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo. O cume desta elevação localiza-se na freguesia de Gavieira. Forma juntamente com Outeiro Alvo um maciço longo e estreito com uma orientação norte-sul que se estende desde Lamas de Mouro a norte até perto das aldeias de Rouças e Tibo a sul.

🏔️ Este maciço que é granítico está separado da serra do Soajo a sudoeste pelo rio Pomba ou da Veiga e a noroeste pelos rios Moadoira e Mouro. A nordeste está separado da restante serra da Peneda pelo rio Mouro. A este e sudeste está limitado pelo vale do rio Peneda.

Com uma altitude de 1268 metros e uma proeminência topográfica de 262 metros esta montanha é a 43ª mais alta de Portugal Continental e a 57ª mais proeminente.

🏔️ Esta é também a 7ª montanha mais alta do distrito de Viana do Castelo e a 10ª mais proeminente.

🥾 A forma mais fácil de chegar a Penameda é seguir o percurso pedestre da Peneda (ver mapa abaixo) até à zona das Faldas de Penameda. A partir deste ponto deixa de existir trilho e torna-se necessário avançar por uma zona íngreme e rochosa onde por vezes é necessário escalar.
Desde o cume podemos admirar um fantástico panorama que estende para todas as direcções. A oeste e sudoeste é visível a Serra do Soajo culminando nos seus dois pontos mais altos, a Pedrada e a Peneda.

🧭 A noroeste vemos o Fojo com o seu cume relativamente planáltico com as suas torres eólicas e mais abaixo a aldeia de Bouça dos Homens.
Mais ao longe, surgindo no nosso campo de visão entre a montanha do Fojo e a do Outeiro Alvo podemos ver o Cabeço do Pico.
O cume rochoso do Outeiro Alvo surge muito perto de nós (fica situado no mesmo maciço que Penameda) encimado por uma torre de pedra.

🧭 A nordeste podemos observar ao longe na serra da Peneda o Vido e mais a sul no mesmo maciço a Aguieira/ Chã da Matança e o Couto do Osso.
Por detrás deste maciço vemos a imensidão do Planalto de Castro Laboreiro culminando no cabeço do Giestoso.

🧭 Em direção a sudeste podemos notar o vale do rio Lima e do outro lado deste ao longe  o Larouco e alguns dos picos principais do Gerês como, de leste para oeste, o Alto de Candal, a Fonte Fria, a Nevosa, o Pico do Sobreiro, Alto da Amoreira/ Laje do Sino, Coções do Concelinho, Alto das Albas, Borrageiro e até o topo do Pé de Cabril. Finalmente a sul podemos visualizar a Cruz do Touro e a Louriça na serra Amarela.


Faldas de Penameda

As Faldas da Penameda, situadas no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), designam as encostas e vales que se estendem na base do maciço granítico da Penameda, uma das formações montanhosas mais imponentes da Serra da Peneda, no concelho de Arcos de Valdevez.

🌄 Contexto geográfico e natural:
• As faldas ocupam a zona de transição entre os altos cumes graníticos e os vales mais abrigados, onde correm ribeiros cristalinos que descem em direção à Lagoa da Peneda e à Aldeia da Peneda.
• São cobertas por uma vegetação típica de montanha atlântica: urzes, carquejas, giestas, e em zonas mais húmidas, fetos e musgos.
• É comum observar cavalos garranos, cabras montesas, e até o corço nas primeiras horas do dia.

🏞️ Paisagem e trilhos:
• Destas encostas avistam-se as brandas da Bouça dos Homens, o Santuário da Peneda encaixado no vale, e a vastidão das serras da Peneda e do Soajo.
• Diversos trilhos cruzam estas faldas, como partes do GR50 – Grande Rota Peneda-Gerês, que permitem explorar o contraste entre os planaltos rochosos e os vales verdejantes.
• As formações graníticas, moldadas pela erosão ao longo de milénios, criam autênticas esculturas naturais, blocos arredondados, penedos e fragas que fazem da Penameda um geossítio de grande interesse geológico.

📜 Aspeto cultural e simbólico:
• As faldas da Penameda sempre foram zonas de pastoreio sazonal, onde as gentes locais conduziam o gado durante o verão.
• A Penameda, com o seu perfil imponente, é também envolta em lendas antigas, ligadas a espíritos da montanha e à devoção à Senhora da Peneda.


Rio Pomba

O Rio da Pomba é um dos cursos de água mais belos e discretos do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), situado na Serra da Peneda, concelho de Arcos de Valdevez. Nasce nas encostas graníticas próximas da Penameda, e serpenteia por vales encaixados e solitários antes de se juntar ao Rio da Peneda, que mais à frente alimenta as águas do Rio Vez.

💧 Características naturais:
• É um rio de montanha, de águas límpidas e frias, que forma pequenas lagoas e cascatas ao longo do seu percurso.
• As margens são revestidas por carvalhos, bétulas e amieiros, que criam zonas de sombra e frescura.
• Nas zonas mais altas, a vegetação é dominada por urzes, giestas e carquejas, típicas dos habitats subalpinos do PNPG.
• A pureza das águas e o isolamento do vale fazem do Rio da Pomba um refúgio de biodiversidade, onde é possível encontrar trutas, libélulas raras, lontras e uma grande variedade de aves aquáticas.

🏞️ Paisagem e acesso:
• O rio corre entre as faldas da Penameda e o planalto da Bouça dos Homens, numa paisagem marcada por fragas graníticas e vales abertos.
• É um local quase intocado, ideal para caminhadas de observação ou para quem procura locais de silêncio e natureza selvagem.
• Ao longo do curso do rio, é possível encontrar poços naturais de água cristalina — um deles conhecido localmente como a Poça da Pomba, muito apreciado no verão por caminhantes e pastores.

📜 Aspeto cultural e simbólico:
• O nome “Pomba” poderá ter origem nas antigas designações toponímicas ligadas à pureza das águas ou a antigos cultos ligados à fertilidade e à natureza.
• As populações locais usavam o vale do rio como passagem entre as brandas e inverneiras, seguindo os ritmos ancestrais do pastoreio.


GR 50

(Grande Rota do PNPG)

🥾 A GR50 – Grande Rota Peneda Gerês

GR50 é uma grande rota que atravessa todo o Parque Nacional da Peneda Gerês, unindo as suas cinco serras Peneda, Soajo, Amarela, Gerês e Larouco ao longo de aproximadamente 190 km de natureza, história e cultura.

Dividido em 19 etapas oficiais, o percurso liga pequenas aldeias tradicionais, brandas e inverneirasmiradouros impressionantesgeossítios e património ancestral, revelando a essência mais pura do Gerês.

🌿 O que se encontra no GR50

  • Paisagens: vales glaciares, cascatas, lagoas e cristas de montanha.
  • Cultura: espigueiros, eiras, moinhos e santuários como o da Peneda.
  • Natureza: carvalhais, matas de urzes e carquejas, lobos, garranos e vacas cachenas.
  • Tradição viva: aldeias como Castro Laboreiro, Germil, Lindoso, Pitões das Júnias e vila de Soajo

📏 Dados gerais

  • Distância total: ~190 km
  • Etapas: 19 (podem ser percorridas isoladamente)
  • Dificuldade: moderada a exigente
  • Sinalização: marcas vermelhas e brancas (padrão GR)
  • Tipo de percurso: circular (liga-se a si mesmo no parque)

💬 Curiosidade

O GR50 é o único grande percurso integralmente dentro de um parque nacional português e foi desenhado para promover o turismo sustentável e o contacto profundo com o território e as suas gentes.


Fauna


Vaca Cachena

(Bos taurus)

🐮 Vaca Cachena do PNPG

vaca cachena é uma das raças mais emblemáticas do Alto Minho e Trás-os-Montes, sendo comum nas brandas e inverneiras da Peneda-Gerês, onde pastoreia livremente pelos montes e lameiros.

De pequena estatura, esta vaca distingue-se pelos seus grandes cornos em forma de lira, muito abertos e elegantes. A pelagem é de tom acastanhado-claro, que se confunde com a vegetação seca da serra uma verdadeira adaptação ao ambiente de montanha.

🌾 Características principais

  • Tamanho: pequena e ágil, ideal para terrenos montanhosos.
  • Cor: castanho-claro a amarelado.
  • Chifres: longos, abertos e curvados para cima.
  • Comportamento: dócil, mas resistente às condições duras de altitude.
  • Alimentação: pastos naturais, urzes, carquejas e ervas serranas.
  • Utilização tradicional: antigamente usada para trabalho agrícola e transporte; hoje valorizada pela carne de excelente qualidade e pela sua importância ecológica.

🌿 Importância no ecossistema

As vacas cachenas ajudam a controlar a vegetação espontânea, prevenindo incêndios e mantendo a paisagem aberta, essencial para aves e outros animais selvagens. Fazem parte do equilíbrio natural da serra, convivendo com garranos, cabras montesas e lobos ibéricos.

Outros nomes

🐮 Raça vilarinha

Além de ser conhecida como cachena, esta raça de vaca também foi conhecida como «vilarinha», por deambular pelas cercanias da barragem de Vilarinho das Furnas, especialmente aquando da altura em que a barragem de Vilarinho das Furnas alagou a região, obrigando os animais, tresmalhados dos seus currais a dispersar-se pelos montes.

🐮 Raça cabreira

Dado o seu pequeno porte, abundante e crespa lanugem e boa disponibilidade física para circular em zonas montanhosas, esta raça bovina, especialmente no Inverno, assemelha-se a uma cabra corpulenta, o que levou a que algumas povoações a cognominasse «vaca cabreira».


Lobo Ibérico

(Canis lupus signatus)

🐺 O lobo-ibérico (Canis lupus signatus) é um dos símbolos mais marcantes e misteriosos do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) e uma das espécies mais emblemáticas da fauna portuguesa. A sua história no PNPG é um retrato vivo do equilíbrio entre natureza selvagem e presença humana, um equilíbrio que durante séculos esteve à beira de se perder.

🐺 Origem e identidade

O lobo-ibérico é uma subespécie endémica da Península Ibérica, diferente do lobo europeu.
Foi descrito cientificamente em 1907 pelo zoólogo espanhol Ángel Cabrera, que lhe deu o nome signatus (“marcado”) devido às manchas escuras no dorso, patas e cauda, uma das suas características mais distintas.

🌲 O lobo no PNPG

O Parque Nacional da Peneda Gerês sempre foi um dos últimos refúgios naturais do lobo em Portugal.
As suas serras, Peneda, Soajo, Amarela e Gerês oferecem o habitat ideal: montanhas isoladas, vales profundos e abundância de presas, como o corço, o javali e o garrano.

Até ao início do século XX, o lobo era comum em todo o país, mas a perseguição humana levou-o a desaparecer de grande parte do território. No PNP Gerês, sobreviveu graças à rudeza da paisagem e ao isolamento das aldeias serranas.

⚔️ Conflito com o homem

Durante séculos, o lobo foi visto como um inimigo.
Atacava o gado, a principal riqueza das aldeias e era caçado sem piedade.
Os pastores armavam laços e armadilhas, usavam venenos, e as autoridades locais pagavam recompensas por cada lobo morto.
Muitos locais do PNPG têm ainda nomes ligados a essa história, como o Fojo do Lobo, uma armadilha em pedra usada até ao século XIX para caçar lobos coletivamente.
O Fojo da Branda da Bouça dos Homens e o Fojo de Germil e outros são exemplos que ainda se podem visitar.

🌿 Proteção e renascimento

Com a criação do Parque Nacional da Peneda Gerês em 1971, o lobo ganhou nova esperança.
Mais tarde, em 1988, foi declarado espécie protegida por lei em Portugal, proibindo a sua caça.
Desde então, o número de alcateias estabilizou, e estima-se que existam cerca de 50 lobos dentro e nas zonas limítrofes do parque.

Hoje, o lobo-ibérico é um símbolo de resistência e de equilíbrio ecológico.
A sua presença indica um ecossistema saudável, com abundância de presas selvagens e floresta intacta.

🔭 O lobo e a cultura local

Nas aldeias da Peneda e da vila de Soajo, o lobo é tanto temido como respeitado.
As histórias e lendas falam de lobos que rondavam à noite, que protegiam a serra de intrusos ou que eram castigos enviados pelas montanhas.
Ainda hoje, há locais que mantêm tradições e mitos ligados a ele, e os pastores falam do lobo com uma mistura de orgulho e prudência como se fizesse parte da alma do PNP Gerês.

📍 Hoje

Quem percorre trilhos como o GR50 ou as zonas altas da Bouça dos Homens, Branda da Gavieira, Mezio ou Lamas de Mouro, caminha em territórios onde o lobo ainda deixa pegadas discretas.
Raramente é visto, mas a sua presença sente-se no silêncio e no equilíbrio natural da serra.


O Corço

(Capreolus capreolus)

corço (Capreolus capreolus) é um dos mamíferos mais elegantes e discretos do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) símbolo da natureza selvagem e da harmonia das serras. 🦌🌿

🦌 O Corço do PNPG

corço é o mais pequeno dos cervídeos portugueses, mas também um dos mais ágeis. Habita as florestas de carvalhos, matos e encostas abertas do Gerês, movendo-se com elegância e silêncio. É uma espécie autóctone e protegida, presente no PNPG desde tempos imemoriais.

Nos primeiros raios do dia ou ao entardecer, é possível vê-lo atravessar trilhos ou campos abertos sempre atento e fugaz.

🌿 Características principais

  • Nome científico: Capreolus capreolus
  • Altura: 60–75 cm
  • Peso: 20–30 kg
  • Pelagem: castanho-avermelhada no verão e acinzentada no inverno
  • Chifres: curtos, verticais, presentes apenas nos machos e renovados todos os anos
  • Comportamento: solitário ou em pequenos grupos; muito territorial

🌾 Alimentação e comportamento

O corço alimenta-se de ervas, rebentos, folhas e frutos silvestres.
É um animal de hábitos crepusculares, preferindo as primeiras e últimas horas do dia para se movimentar.
Durante a primavera e o verão, os machos marcam território com cheiros e arranhões nas árvores, emitindo sons curtos e agudos para afastar rivais.

🏔️ Presença no PNPG

No Gerês, o corço encontra refúgio nas encostas da Peneda, Soajo, Amarela e Castro Laboreiro, onde a vegetação e o relevo o protegem de predadores, como o lobo ibérico.
A sua presença é sinal de ecossistemas equilibrados e florestas saudáveis.

💬 Curiosidade

O corço é muitas vezes confundido com o veado, mas é menor e mais leve.
Os locais conhecem-no por nomes como “cabrilho” ou “cabra-brava”, e consideram-no um dos animais mais puros e belos do Parque Nacional Peneda Gerês.


Javali 

(Sus scrofa)

javali (Sus scrofa) é um dos animais selvagens mais emblemáticos do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) discreto, mas essencial para o equilíbrio natural das serras. 🐗🌿

🐗 O Javali do PNPG

javali é um mamífero robusto e inteligente, que habita as zonas florestais e montanhosas do Gerês. Adapta-se facilmente ao meio, sendo um verdadeiro símbolo da vida selvagem da Peneda, do Soajo e da Serra Amarela.

Costuma sair ao entardecer ou durante a noite, movendo-se silenciosamente pelos carvalhais e matos densos, onde encontra abrigo e alimento.

🌾 Características

  • Nome científico: Sus scrofa
  • Peso: até 100 kg nos machos adultos
  • Cor: castanho-escuro, com pelagem espessa e eriçada
  • Alimentação: onívoro — come raízes, bolotas, frutos silvestres, minhocas e até pequenos animais
  • Comportamento: vive em pequenos grupos familiares chamados varas, liderados por uma fêmea

🌳 Importância ecológica

O javali tem um papel crucial no ecossistema do PNPG:

  • Revolve o solo à procura de alimento, ajudando a arar e fertilizar a terra
  • Espalha sementes e contribui para a renovação da vegetação
  • Serve de presa natural para o lobo ibérico, mantendo o equilíbrio das cadeias alimentares

⚠️ Curiosidade

Apesar de serem normalmente tímidos e evitarem o contacto humano, os javalis são extremamente cautelosos. Raramente se mostram durante as caminhadas mas os seus rastros no chão, marcas no solo e pegadas são sinais frequentes nos trilhos do parque.


Águia-de-asa-redonda

( buteo buteo )

🦅 A águia-de-asa-redonda é uma das aves de rapina mais comuns de Portugal e pode ser observada frequentemente no Parque Nacional da Peneda Gerês, sobrevoando vales e serras em busca de presas. 

🦅 Águia-de-asa-redonda no PNPG

🔹 Família: Accipitridae
🔹 Tamanho: 50–57 cm de comprimento; envergadura entre 110 e 130 cm
🔹 Peso: 600 g a 1,3 kg
🔹 Aspeto: Corpo robusto, asas largas e arredondadas, cauda curta. A plumagem é muito variável, vai do castanho-escuro ao quase branco, mas o peito apresenta quase sempre uma mancha mais clara.
🔹 Voo: Característico e majestoso, alterna longos planados em círculos com poucos batimentos de asas.
🔹 Alimentação: Pequenos mamíferos (ratos, toupeiras), répteis, aves pequenas e, por vezes, carcaças.
🔹 Habitat: Florestas intercaladas com campos abertos e zonas montanhosas. No PNPG, é comum ver-se nas encostas da Serra da PenedaSoajo e Gerês, onde utiliza as correntes térmicas para planar.
🔹 Nidificação: Faz o ninho em árvores altas ou penhascos; põe 2 a 3 ovos em março-abril.
🔹 Comportamento: É residente em Portugal, embora algumas populações europeias migrem para o sul no inverno.

💡 Curiosidades: 

O seu grito agudo e prolongado é muitas vezes ouvido antes de ser vista e um som inconfundível nos céus do PNPG.

No PNPG existe o caso de uma águia-de-asa-redonda identificada com a anilha M030886, que foi ferida por caçadores e teve lesões na asa, foi recuperada pelos veterinários do parque e posteriormente libertada.


Flora


Carqueja

(Genista tridentata)

A carqueja (Genista tridentata) é um dos arbustos mais emblemáticos do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), facilmente reconhecida pelas suas hastes verdes, rijas e espinhosas, e pelas flores amarelas intensas que pintam a serra durante a primavera.

🌿 Descrição botânica:
É uma planta arbustiva típica das zonas montanhosas do Noroeste de Portugal, adaptada aos solos pobres e graníticos. Pode atingir até 1,5 metros de altura, com ramos finos e quase sem folhas, o que lhe permite resistir ao vento e às variações de temperatura da serra.

🏞️ Habitat no PNPG:
A carqueja cobre vastas áreas das brandas, lameiros e encostas secas da Peneda, Soajo e Castro Laboreiro. É uma das espécies dominantes dos matos de altitude, sendo fundamental para o equilíbrio ecológico, pois ajuda a fixar o solo e previne a erosão.

🐝 Importância ecológica:
Durante a floração, atrai uma grande diversidade de insetos polinizadores, especialmente abelhas, desempenhando um papel vital no ecossistema do PNPG.

🌼 Usos tradicionais:
A carqueja é valorizada há séculos pelas populações locais pelas suas propriedades medicinais utilizada em infusões digestivas e purificantes e como combustível natural nas antigas lareiras serranas.

📍 Curiosidade:
Nos meses de abril e maio, as encostas cobertas de carqueja em flor criam um dos panoramas dourados mais belos do Gerês, contrastando com o verde dos carvalhais e o cinzento dos penedos graníticos.


Urze

(Erica spp. e Calluna vulgaris)

A urze (Erica spp. e Calluna vulgaris) é outra das plantas mais características e resistentes do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), formando extensos tapetes coloridos que dão vida às encostas e planaltos ao longo de todo o ano.

🌿 Descrição botânica:
Trata-se de um arbusto perene de pequenas folhas e flores rosadas, lilases ou brancas, que floresce entre a primavera e o outono. As espécies mais comuns no PNPG são a urze-branca (Erica arborea), a urze-carvalha (Erica australis) e a torga (Calluna vulgaris).

🏞️ Habitat no PNPG:
A urze cresce sobretudo em solos pobres e ácidos, nas encostas, baldios e áreas de altitude, onde o clima é rigoroso e o vento frequente. É uma planta dominante dos matos serranos e muitas vezes aparece associada à carqueja e ao tojo, formando o mosaico vegetal típico da serra.

🐝 Importância ecológica:
As suas flores são uma importante fonte de néctar para abelhas e outros polinizadores, dando origem ao famoso mel de urze do Gerês, de sabor intenso e cor escura.
Além disso, contribui para fixar o solo e regenerar áreas após incêndios, desempenhando um papel essencial na recuperação dos ecossistemas.

🔥 Usos tradicionais:
Historicamente, a urze foi usada como lenha, cama para o gado, e em coberturas tradicionais nas brandas e aldeias serranas. Também tem usos medicinais, em infusões para o sistema urinário e respiratório.

🌸 Curiosidade:
Na época de floração, as urzes transformam as serras da Peneda e do Gerês num manto roxo e rosado, criando uma das paisagens mais emblemáticas e fotogénicas do parque.


Merendera montana

Colchicum montanum

Merendera montana (atualmente classificada como Colchicum montanum) é uma planta herbácea perene da família Colchicaceae, muito característica de zonas montanhosas da Península Ibérica, incluindo o Parque Nacional da Peneda Gerês. 🌸

🔹 Nome comum: Merendera, açafrão-dos-montes ou açafrão-bastardo
🔹 Nome científico atualizado: Colchicum montanum
🔹 Família: Colchicaceae
🔹 Floração: final do verão até outono (geralmente entre agosto e outubro)
🔹 Habitat: prados de montanha, pastagens húmidas e clareiras em zonas graníticas, gosta de solos ácidos e bem drenados.
🔹 Altura: entre 5 e 15 cm
🔹 Flores: solitárias, de cor rosa-lilás intensa, semelhantes às do açafrão verdadeiro, mas sem valor culinário (e tóxicas, pois contêm colchicina).
🔹 Curiosidade: as flores surgem antes das folhas, diretamente do solo, o que dá um ar surpreendente ao prado outonal.

É uma das pequenas joias florísticas do PNPG e costuma ser vista em setembro nos planaltos e brandas de altitude, como as da Peneda e Castro Laboreiro.


Bétónica

(Betonica officinalis)

Betonica officinalis (também conhecida por bétónicabetónica-comum ou erva-das-feridas) é uma planta autóctone do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) e pode ser observada em vários locais do parque, sobretudo em clareiras de carvalhaismargens de caminhos e prados húmidos de montanha.

🌿 Características principais:

  • Família: Lamiaceae (mesma família da hortelã e salva)
  • Altura: 30 a 60 cm
  • Flores: Cor-de-rosa a púrpura, dispostas em espigas densas no topo do caule
  • Época de floração: Junho a setembro
  • Folhas: Ovais, com margens serradas e textura ligeiramente pilosa

🌸 Habitat no PNPG:

A bétonica prefere solos frescos e bem drenados, muitas vezes em encostas abertas e soalheiras, entre 500 e 1400 m de altitude. No PNPG, pode ser encontrada em:

  • Zonas de Branda da Bouça dos Homens e Peneda
  • Encostas da Serra do Soajo
  • Próximas a caminhos rurais e lameiros

🌼 Usos tradicionais:

Historicamente, a Betonica officinalis era considerada uma planta “mágica” e medicinal:

  • Infusões para aliviar dores de cabeça, ansiedade e problemas digestivos
  • Cataplasmas para feridas e inflamações (daí o nome erva-das-feridas)
  • Era também usada pelos pastores como planta protetora contra maus espíritos

🌱 Curiosidade:

Nos antigos tratados de botânica popular dizia-se:

“A bétónica vale mais que um tesouro”,
devido à sua reputação como planta curativa universal.


Nome

Cientifico

Texto