Elevador do Bom Jesus do Monte
O Elevador do Bom Jesus localiza-se no Santuário do Bom Jesus do Monte, na freguesia de Tenões, na cidade e município de Braga, distrito de mesmo nome, em Portugal.
Operado pela Confraria do Bom Jesus do Monte, liga a parte alta da cidade ao Santuário, vencendo um desnível de mais de cem metros de altura, e segue um percurso paralelo ao dos Escadórios do Bom Jesus, terminando, na parte mais alta, junto à estátua equestre de São Longuinho.
Sendo o primeiro funicular construído na Península Ibérica, é atualmente o mais antigo em serviço no mundo a utilizar o sistema de contrapeso de água.
Em 23 de Maio de 2013 foi classificado como Monumento de Interesse Público.
Foi construído por iniciativa do empresário bracarense Manuel Joaquim Gomes (1840-1894) com o objetivo de substituir a linha dos americanos de Braga (veículos sobre carris puxados por cavalos), que originalmente se estendia até ao santuário e que tinha de ter a sua tração complementada por bois na íngreme subida em dias de maior afluência.
O projeto foi da autoria do engenheiro suíço Niklaus Riggenbach que, a partir do seu país enviou todas as indicações necessárias para a execução do projeto e instalação dos equipamentos. Os trabalhos foram iniciados em março de 1880, com colaboração técnica do engenheiro português de ascendência francesa Raul Mesnier du Ponsardque, no local, superintendeu os trabalhos. A inauguração ocorreu em 25 de março de 1882 (143 anos). (O seu sucesso foi de tal ordem que, nesse mesmo ano, constituiu-se em Lisboa a Companhia dos Ascensores, que convidou Mesnier para projetar e instalar na capital portuguesa uma série de elevadores funiculares e de carros de cabo sem fim — os primeiros dos quais se encontram até hoje em funcionamento.)
A campanha de reparações levada a cabo em 1946 utilizou material oriundo do desmantelamento do Comboio do Monte, na cidade do Funchal, na ilha da Madeira.
Características
Funciona sobre uma rampa, sendo constituído por duas cabines independentes, ligadas entre si por um sistema funicular com contrapeso de água. Cada cabine tem um depósito, que é cheio de água quando no nível superior, e esvaziado quando no inferior. A diferença de pesos assim obtida permite a deslocação. A quantidade de água é calculada em função do número de passageiros nas cabines, a cada viagem.
- Distância: 274 m
- Desnível: 116 m
- Inclinação: 42%
- Entrada, no sopé do monte (século XXI).
Tempo de Viagem: 2,5 - 4 min., dependendo do número de passageiros - Velocidade média: 1,2 - 1,8 m/s
Entrada, no sopé do monte (século XIX).
Linha
- Linha do elevador: composta por duas vias paralelas, cada uma das quais com duplo carril e cremalheira central.
- Bitola: 1435 mm (bitola internacional)
Cabo
- Data da Substituição do Cabo: 1956
- Comprimento do cabo de aço: 300 m
- Diâmetro do Cabo: 38 mm
- Peso do Cabo: 1500 kg
Cabina
- Peso da Cabina: 5000 kg (as cabines foram construídas na Suiça pela empresa SLM - Oficinas de Olten)
- Número de passageiros por cabina: 38 (30 sentados)
- Capacidade do depósito de água: 5850 ℓ
Escadório do Pórtico
É acedido pelo Pórtico do Bom Jesus, um arco no início da escadaria, onde se encontra o brasão com as armas do responsável pela sua construção, em 1723, o então Arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles. Neste lanço inicial encontram-se as primeiras capelas da Via Sacra do Bom Jesus, erguidas no mesmo período.
Representa os passos da Via Sacra, sendo constituída por 17 capelas e a Igreja do Bom Jesus.
O Pórtico do Bom Jesus localiza-se na parte inferior do primeiro lanço da escadaria.
No exterior dos pilares encontram-se duas inscrições:
"Jerusalem sancta restaurada e reedificada no anno de 1723"
e
"Pelo illustrissimo senhor Dom Rodrigo de Moura Telles Arcebispo primaz"
Neste lanço inicial encontram-se as primeiras capelas da Via-Sacra: "Cenáculo", "Horto", "Prisão", "Trevas", "Açoutes", "Coroação", "Pretório", "Caminho do Calvário", "Queda" e "Crucificação"
Das 17 capelas, 8 são octogonais, 6 hexagonais e 3 quadradas.
História
A iniciativa da construção da Via Sacra foi do arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.
Originalmente todas as capelas dos Passos da Paixão eram uniformes na sua arquitectura: um edifício cúbico com uma porta, encimado por uma pirâmide quadrada com uma esfera no vértice. Por cima da porta encontrava-se o brasão de armas do arcebispo.
Das capelas originais apenas restam três. As demais foram reconstruídas segundo o modelo "guaritas de sentinela", com planta em forma de octógono ou hexágono.
Capela da Última Ceia ou Cenáculo
Aqui está representada, em imagens de tamanho natural, a Última Ceia. Na frente da capela encontra-se a inscrição: "Coena facta... accepit Jesus panen... et ait... commedite: Hoc est corpus meum. Joan. 13, 2. Math. 26, 26" ("Acabada a ceia... tomou Jesus o pão... e diz comei: este é o meu corpo.")
A Última Ceia foi a última refeição que, de acordo com os cristãos, Jesus dividiu com seus apóstolos em Jerusalém antes de sua crucificação. Ela é a base escritural para a instituição da Eucaristia, também conhecida como "Comunhão". A Última Ceia foi relatada pelos quatro evangelhos canônicos em Mateus 26:17–30, Marcos 14:12–26, Lucas 22:7–39 e João 13:1 até João 17:26. Além disso, ela aparece também em I Coríntios 11:23–26. O evento é comemorado na chamada Quinta-feira Santa.
Na Primeira Epístola aos Coríntios está a primeira menção conhecida à Última Ceia. Os quatro evangelhos canônicos afirmam que a Última Ceia ocorreu perto do final da Semana Santa, após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, e que Jesus e seus discípulos dividiram uma refeição antes que ele fosse crucificado no final da semana. Durante a ceia, Jesus previu sua traição por um dos discípulos ali presente e antecipa que, antes do amanhecer do dia seguinte, o apóstolo Pedro iria negar conhecer Jesus.
Os três evangelhos sinóticos e a Primeira Epístola aos Coríntios incluem um relato da instituição da Eucaristia, na qual Jesus reparte o pão entre os discípulos dizendo: "Este é o meu corpo". O Evangelho de João não inclui esta parte, mas afirma que Jesus lavou os pés dos discípulos, dando-lhes um novo mandamento: "Ame os outros como eu vos amei" e reproduz um detalhado discurso de adeus feito por Jesus, chamando os apóstolos que seguiam seus ensinamentos de "amigos e não servos".
Alguns acadêmicos veem na Última Ceia a fonte das primeiras tradições cristãs sobre a Eucaristia. Outros entendem que o relato é que deriva de uma prática eucarística já existente no século I e descrito por Paulo.
Capela da Agonia ou do Horto
Capela quadrada situada junto ao Pórtico do Bom Jesus.
Aqui está representado o episódio do Monte das Oliveiras, com a inscrição: "Factus in agonia prolixius orabat. Luc. 22, 43" ("Posto em agonia, orava com mais fervor.")
Agonia no Getsêmani se refere a um evento na vida de Jesus que ocorreu entre a Última Ceia e a sua prisão.
A luta de Jesus (em grego: agonia ), orando e se submetendo a Deus antes de aceitar seu sacrifício no Getsêmani também denota um estado de espírito atualmente chamado de agonia.
De acordo com os quatro evangelhos, logo após a Última Ceia, Jesus resolveu dar uma volta para orar (João 18:1). Mateus e Marcos identificam o lugar como sendo o jardim conhecido como Getsêmani. Jesus estava acompanhado de Pedro, João e Tiago, filho de Zebedeu, a quem Jesus pediu que permanecessem acordados e orassem. Então ele se retirou para uma distância curta deles ("um tiro de pedra") e, ali, sentiu uma enorme tristeza e angústia, dizendo «Pai, se é do teu agrado, afasta de mim este cálice; contudo não se faça a minha vontade, mas sim a tua.» (Lucas 22:42) Então, um pouco depois, Ele disse «Pai meu, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.» (Mateus 26:42) Ele recitou esta oração três vezes, conferindo a situação dos apóstolos à cada vez e encontrando-os dormindo. Ele então profere uma de suas famosas frases: «o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.» (Mateus 26:41) Um anjo vem do Céu para fortalecê-lo.
Durante a Sua agonia, conforme Ele rezava «...o seu suor tornou-se em gotas de sangue a cair sobre a terra.» (Lucas 22:44)
Capela da Prisão ou Traição
Capela octogonal situada junto à fonte de Diana.
Aqui está representada a traição de Judas, e a inscrição reza: "Manus injecerunt in Jesum, et tenuerunt eum. Math. 26, 50" ("Lançaram as mãos a Jesus e o prenderam.")
O Beijo de Judas foi, de acordo como os evangelhos sinóticos, a forma que Judas Iscariotes identificou Jesus aos soldados que vieram prendê-lo. O evento, principalmente na arte cristã, passou a significar a traição a Jesus, que ocorreu no Getsêmani após a Última Ceia e que levará diretamente à prisão de Jesus pela força policial do Sinédrio. Na teologia cristã, os eventos iniciados na Última Ceia até a ressurreição de Jesus são conhecidos como Paixão.
De forma mais ampla, um "beijo de Judas" pode se referir a "um ato que aparentemente é de amizade, mas que na realidade é prejudicial a que o recebe".
O beijo está relatado em Mateus 26:47–50, Marcos 14:43–45 e Lucas 22:47–48. Em João 18:2–9 aparece o evento da traição, mas sem menção a um beijo de Judas.
Capela das Trevas
Capela octogonal situada junto à fonte de Marte.
A capela tem uma só figura de Jesus Cristo, sentado numa pedra, com os pulsos presos e os olhos vendados, da autoria de Evangelista Vieira. A inscrição reza: "Tunc expuerunt in facien ejus... alh auten palmas in faciem ejus dederunt. Math. 26, 67." ("Então uns lhe cuspiram no rosto... e outros lhe deram bofetadas.")
Capela da Flagelação ou dos açoites
Capela octogonal localizada junto à fonte de Mercúrio.
É considerada uma obra incompleta e de má qualidade de autoria de Fonseca Lapa, escultor de Vila Nova de Gaia. A figura representa Cristo atado a uma coluna. A inscrição rez: "Apprehendit Pilatus Jesum, et flagelavit. Joan. 19, 1" ("Prendeu Pilatos a Jesus, e o fez açoutar.")
A flagelação de Jesus, também conhecido como Cristo na coluna, é um episódio da Paixão de Cristo que aparece com bastante frequência na arte cristã, em ciclos da Paixão ou como um grande tema nos ciclos da Vida de Cristo. É também a quarta estação da versão moderna (e alternativa) das estações da cruz e um dos Mistérios Dolorosos do Santo Rosário. A coluna à qual Jesus geralmente aparece amarrado, e a corda, o flagelo, são elementos que aparecem nas Arma Christi.
A Basilica di Santa Prassede, em Roma, alega ter a coluna original. O mesmo acontece com a Catedral de São Jorge, em Istambul.
Capela da Coroação de espinhos
Capela octogonal situada junto à fonte de Saturno.
O quadro é formado por um conjunto de três figuras, obra do escultor Evangelista Vieira. A inscrição reza: "Exivit Jesus portans coronam spineam. Joan. 19, 5." ("Saíu Jesus trazendo a coroa de espinhos.")
A coroa de espinhos foi um instrumento de tortura utilizado pelos romanos durante a Crucificação de Jesus. Segundo a Bíblia, esse instrumento foi tecido de galhos e espinhos secos e colocados na testa de Jesus instantes antes da sua crucificação. A coroa de espinhos é mencionada no Mateus 27:29, Marcos 15:17 e em João 19:2–5. Segundo o Evangelho de João:
“«Os soldados, tendo tecido uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e vestiram-no com um manto de púrpura; chegavam-se a ele e diziam: Salve, Rei dos judeus! e davam-lhe bofetadas. Outra vez saiu Pilatos e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum. Saiu, pois, Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Disse-lhes Pilatos: Eis o homem!» (João 19:2–5)”
Diz-se que ela era composta por ramos de pilriteiro. Daí que em muitas regiões portuguesas seja tradição que se coloquem ramos desta planta nas portas, do lado de fora das casas, para proteção em dias de tempestade e de trovoada, para defender e proteger os seus moradores e os seus bens, pois diz-se que tudo aquilo que tocou Cristo nos protege.
Capela do Pretório
Capela octogonal, situada no miradouro dos escadórios.
O quadro escultórico representa o pretório de Pilatos, quando apresenta Jesus: "Ecce Homo". As duas esculturas, em tamanho natural, são de Evangelista Vieira. Por cima da porta a inscrição: "Exivit... Pilatus foras, et dicit... ecce homo. Joan. 19, 4, 5." ("Saiu... Pilatos fora e disse... eis o homem.")
Capela do Caminho do calvário
Capela octogonal, situada no miradouro dos escadórios.
Está representado Cristo levando aos ombros a cruz, arrastado por um soldado romano e seguido por Cireneu e várias mulheres. A inscrição reza: "Bajulans sibi crucem exivit in... calvariae locum. Joan. 19, 5." ("Levando a cruz às costas, saiu para... o lugar do calvário.")
Capela das Quedas
Capela hexagonal, situada no início dos escadórios dos 5 sentidos.
O quadro escultórico mostra o momento em que Jesus cai sob o peso da cruz e Cireneu ampara-lhe o madeiro. Ambas as esculturas são de Evangelista Vieira. Na porta a incrição: "Et venerunt in locum qui dicitur golgotha. Math. 27, 33." ("E vieram a um lugar chamado Gólgota.")
Calvário ou Gólgota (em aramaico: Gûlgaltâ; em latim: Calvaria; em grego: Κρανίου Τόπος; romaniz.: Kraniou Topos) é a colina na qual Jesus foi crucificado e que, na época de Cristo, ficava fora da cidade de Jerusalém. O termo significa "caveira", referindo-se a uma colina ou platô que contém uma pilha de crânios ou a um acidente geográfico que se assemelha a um crânio.
Capela da Cruxificação
Capela hexagonal, situada no início dos escadórios dos 5 sentidos.
As imagens desta capela são as originais do século XVIII. A inscrição reza: "Erat autem hora tertia, et crucifixerunt eum. Marc. 15, 25" ("Era a hora da terça quando o crucificaram.")
Escadório dos Cinco Sentidos
Neste trecho do escadório desenvolvem-se cinco lances de escadas, intervalados por patamares com fontes alegóricas aos cinco sentidos, pela seguinte ordem: "Visão", "Audição", "Olfato", "Paladar" e "Tato".
Estas fontes são precedidas por outra, a "Fonte das Cinco Chagas", onde se lê a seguinte inscrição: "Fontes de púrpura abriu então o ódio amargo; agora o amor transforma-os aqui em cristais para ti."
Fonte da Visão
Caracteriza-se por uma figura que lança água pelos olhos, e possui a inscrição: "Varão prudente, toma-as por um sonho e assim vigiarás." Do lado direito, uma estátua de Moisés traz a inscrição "Aqueles que feridos olhavam saravam", e outra de Jeremias, com a inscrição "Eu vejo uma cara vigilante".
Fonte da Audição
Caracteriza-se por uma figura que lança água pelos ouvidos, com uma estátua de Juditea tocar cítara e a inscrição "Que cantava ao som da cítara, presidindo os que cantavam e louvavam o Senhor". Do lado esquerdo encontra-se David, com a inscrição "Ao meu ouvido darás gozo e alegria", defronte a uma mulher com a inscrição "Tua voz soe aos meus ouvidos".
Fonte do Olfato
Caracteriza-se por uma figura que lança água pelo nariz, com uma estátua de um varão encabeçada pela inscrição "Dai flores como o lírio e rescendei suave cheiro". Do lado esquerdo encontra-se a figura de Noé, e do direito Sulamita com a inscrição: "A tua estatura é semelhante a uma palmeira… e o cheiro da tua boca é como o das maçãs".
Fonte do Paladar
Caracteriza-se por uma figura que lança água pela boca, com uma estátua de José do Egito com um cálice e um prato nas mãos, e a inscrição "A tua terra seja cheia das bênçãos do Senhor, dos frutos do céu e do orvalho". Do lado esquerdo, a figura de Jónatas com a inscrição "Provei um pouco de mel na ponta duma vara e eis porque morro" e, do direito, Esdras com a inscrição "Prove o pão, e não nos abandones, como o pastor no meio dos lobos".
Fonte do Tato
Caracteriza-se por uma figura que segura uma bilha com as duas mãos, de onde lança água, com a estátua de Salomão e a inscrição "As minhas entranhas estremeceram ao seu toque". Esta estátua está ladeada por Isaías, com a inscrição "Tocou a minha boca", e a de Isaac, invisual, com as mãos estendidas à procura do filho e a inscrição "Chega-te a mim, meu filho, para que te toque".
Escadório das Três Virtudes
Nos mesmos moldes do Escadório dos Cinco Sentidos, este trecho data de 1837. Possui três fontes dedicadas às Virtudes teologais: a Fé, a Esperança e a Caridade.
O escadório, num total de 581 degraus, culmina no Terreiro de Moisés, onde se localiza a Fonte do Pelicano e a Estátua de São Longuinho, a que se segue o adro e a Igreja do Bom Jesus.
Fonte da Fé
Apresenta a inscrição "Correrão dele águas vivas", e as suas alegorias referem-se à Docilidade e à Confissão.
Fonte da Esperança
Caracteriza-se por uma figura da arca de Noé por baixo da qual cai a água. Apresenta a inscrição "Arca na qual… se salvaram almas", e as alegorias referem-se à Confiança e à Glória.
Fonte da Caridade
Caracteriza-se por uma estátua de mulher com duas crianças nos braços, com a inscrição "São três estas virtudes… a maior delas, porém, é a caridade". A água jorra do coração de uma das crianças, e as alegorias referem-se à Benignidade e à Paz.
Terreiro de Moisés
Constitui-se numa praça de planta elíptica, entre o alto dos escadórios e o Adro do Bom Jesus. Nesta praça erguem-se as capelas da Via Sacra do Bom Jesus, da Elevação e do Descimento.
História
Tal como a Igreja do Bom Jesus, esta praça foi projetada por Carlos Amarante. Aqui existiu a primitiva igreja, erguida por iniciativa do Arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles, e concluída em 1725. Constituía-se numa construção elipsoidal, rematada por uma platibanda rendilhada, com oito pilastras em contraforte.
Entretanto, possivelmente afetada pelo grande sismo de 1755, em 1780constatou-se que a pressão da abóbada deslocara as paredes, sendo necessário escorá-las com troncos de árvores. Data desse período o projeto de construção do atual templo.
No local onde se situava a torre dessa primitiva igreja, sobre um penedo, encontra-se atualmente a Estátua de São Longuinho.
No lado norte do terreiro estava uma estátua de Moisés, hoje deslocada para um penedo junto a um pequeno lago do Parque do Bom Jesus.
O fundo do largo é ornamentado pela Fonte do Pelicano, concluída em 1819, obra do canteiro Jerónimo António da Silva.
O largo foi calcetado em granito nas renovações dos escadórios levadas a cabo em 2015.
Capela da Elevação
Capela octogonal.
O grupo representa Cristo pregado na cruz, a ser erguido sobre o calvário. Na portada a inscrição reza: "Et ego exaltatus fuero a terra, omnia traham ad me ipsum. Joan. 12, 32." ("E quando eu for levantado da terra, todas as coisas atrairei a mim.")
Capela da Descida
Capela octogonal.
Aqui, a inscrição reza: "Deponentes eum de ligno. Act. Apost. C. 13, v. 20." ("Tirando-o do madeiro.")
Basílica do Bom Jesus
A Basílica do Bom Jesus é um dos primeiros edifícios em estilo neoclássico no país.
A igreja foi elevada à categoria de basílica e a proclamação solene foi feita a 5 de julho de 2015.
História
Este templo foi projetado pelo arquiteto Carlos Amarante, por encomenda do então Arcebispo de Braga, D. Gaspar de Bragança, para substituir a anterior, erguida por D. Rodrigo de Moura Teles. As suas obras iniciaram-se a 1 de junho de 1784, tendo ficado concluídas em 1811.
Características
A basílica apresenta planta na forma de uma cruz latina.
A sua fachada é ladeada por duas torres, encimada por um frontão triangular. Aos lados da porta principal, em nichos, entre as colunas de seis metros de altura, encontram-se as estátuas dos profetas Jeremias e Isaías, com inscrições em latim. Ao centro, por cima do grande janelão encontram-se as armas de João VI de Portugal que, em 1822 concedeu ao santuário as mesmas honras e prerrogativas da Misericórdias.
O adro da basílica, também projetado por Amarante, apresenta oito estátuas que representam personagens que intervieram na condenação, paixão e morte de Jesus Cristo.
Estátua de São Longuinho
A Estátua de São Longuinho, segundo a crença, São Longuinho foi um dos soldados presentes na crucificação de Jesus Cristo, que depois se converteu. Na tradição popular, o santo é venerado por auxiliar na busca por objetos perdidos.
Características
Trata-se de uma estátua equestre do santo, sobre um pedestal, ambos em pedra de granito, abundante na região. Foi erguida sobre um penedo onde existiu a torre da primitiva Igreja do Bom Jesus, no atual Terreiro de Moisés.
O conjunto, de autoria do escultor Pedro José Luís, foi uma oferta de Luís de Castro de Couto, de Pico de Regalados, no ano de 1819.
É a única estátua equestre existente em Portugal feita de pedra, e uma das únicas do mundo.
A lenda de São Longuinho de Braga
Há uma curiosa tradição em Braga, pela festa de São João, envolvendo a estátua de São Longuinho e o Santuário do Bom Jesus do Monte. Nessa época, algumas raparigas namoradeiras andam à volta da estátua de granito, proferindo orações, com objetivo de apressar o seu casamento.
De acordo com uma antiga lenda local, um lavrador muito rico, de nome Longuinhos vivia nos arredores da cidade, perto do Bom Jesus. Solteiro e recatado, era estimado por todos na comunidade. As raparigas solteiras não lhe eram indiferentes, uma vez que entreviam nele um excelente partido, embora nenhuma o impressionasse particularmente.
Certo dia, Longuinhos apaixonou-se por uma rapariga chamada Rosinha e entendeu que era o momento de partilhar a sua fortuna. Para esse fim, informou-se quem era o pai dela e procurou-o. Identificou-se e comunicou-lhe as suas intenções, pedindo a mão dela em casamento. O pai dela, entretanto, mostrou-se um negociador difícil, e apenas cedeu quando Longuinhos lhe prometeu uma pensão.
Pedro, era esse o nome do pai de Rosinha, chamou-a e comunicou-lhe que Longuinhos pedira a mão dela em casamento e que ele, como pai, a dera. A rapariga ficou lívida, pois amava outro rapaz, de nome Artur, e diante do altar do Bom Jesus, havia lhe prometido casamento. O velho pai, com medo de perder o negócio que fizera, armou tal espalhafato que a filha, apavorada, acabou por dizer-lhe que casava com Longuinhos. Saiu a tremer de ao pé do pai e recolheu-se ao seu quarto, onde, chorosa, começou a orar, apelando a São João. Eis que, de súbito, ouve uma voz dentro de si que lhe dizia que tivesse calma, que tudo se arranjaria.
A voz era a de São João, que dali foi ter com Longuinhos, que também se encontrava em meditação. Dirigindo-se ao lavrador, São João argumentou que, se Longuinhos era tão seu amigo, não seria capaz de estragar a felicidade dos dois jovens que tanto se amavam. Reparou ainda a Longuinhos a desastrosa maneira de falar com o pai de Rosinha, tentando-o com dinheiro.
Longuinhos então caiu em si e compreendeu que, se a rapariga amava outro, e era correspondida, ele não tinha o direito de destruir a felicidade de ambos. Assim o disse ao santo, que ficou muito contente, e acrescentou:
"- Se me consentes, São João, eu próprio serei o padrinho desse casamento! Sei que precisam de um bom começo de vida e eu me encarregarei disso. Quanto ao meu amor, cá o entreterei até que se desvaneça!"
O santo correu então a avisar a rapariga, para que preparasse a boda com Artur, pois arranjara-lhe um bom padrinho. O velho Pedro foi quem ficou a perder, mas lá se consolou como pôde.
Capela da Unção ou das Lágrimas
Capela hexagonal.
O conjunto escultórico representa a unção de Jesus antes de ser sepultado. Aqui se encontram Maria, Cléofas, Verónica, Maria Salomé, Maria Madalena, São João, quatro varões e um centurião romano.
Capela da Ressurreição
Capela quadrada, situada nas escadas que ligam o adro ao Terreiro dos Evangelistas.
Representa o ressuscitar de Jesus enquanto os guardas dormem. A imagem é da autoria do escultor bracarense João Gambino.
Terreiro dos Evangelistas
O Terreiro dos Evangelistas, também referido como Largo das Três Capelas localiza-se no Santuário do Bom Jesus do Monte.
Constitui-se numa praça de planta octagonal, integrante do Parque do Bom Jesus, onde termina a Via Sacra do Bom Jesus. Nesta praça erguem-se três capelas, interpostas por quatro fontes com estátuas dos Evangelistas e, ao centro, um chafariz ornamental.
História
O terreiro foi aberto entre os anos de 1750 e 1760.
Em seguida, entre 1762 e 1765 foram projetadas as três capelas, possivelmente de autoria de André Soares, e executadas pelos pedreiros António Ferreira, Cristóvão José Farto, Caetano Lourenço, Francisco Soares e Manuel Vivas.
As imagens para as capelas, com risco do padre Silvestre de Campos, foram executadas por António Monteiro e pintadas por Matias de Lis de Miranda, José Inácio, João Teixeira e filho, José Galego e José Alves.
À época também foram esculpidas as quatro fontes e o chafariz central, tendo o conjunto sido oferecido pelo confrade Manuel Rebelo da Costa, e executado por Ambrósio dos Santos, José de Sousa, Custódio Luís Soares e Manuel Vivas.
Capela da Aparição a Maria Madalena
À frente do túmulo vazio que está entre rochas do lado esquerdo, Cristo surge a Maria Madalena. Cristo está de pé coberto por um manto vermelho e segura com a mão esquerda o estandarte da Ressurreição. Maria Madalena está semi-ajoelhada usando um vestido de corpete escuro cingido ao tronco, mangas azuis cujo remate é feito por elegantes punhos dourados, saia azul clara com o interior de tecido amarelo dourado, saiote preto e um véu branco esvoaçante a cobrir-lhe a cabeça aureolada. Segura na mão esquerda um frasco de perfumes que é um dos seus símbolos.
Em plano recuado, no alto da colina pedregosa, está representada a aparição de Cristo a São Pedro à entrada de uma gruta, episódio que se inclui nas séries das Cristofanias narrado por São Paulo que se lhe refere bem como a outros hipotéticos encontros com S. Tiago Menor. A aparição verifica-se numa gruta onde S. Pedro se refugiara depois da crucificação, sendo assim que Francisco Henriques a interpreta. A cena decorre numa paisagem acidentada em que predominam os tons verdes da vegetação e arvoredo, e o castanho das rochas.
O manto vermelho de Cristo e a diversidade de cores das vestes de Madalena animam-se em contraste com os tons pardos da paisagem que apesar da sua importância na composição se desenvolve de modo quase autónoma em relativamente às figuras. O pintor parece ter-se inspirado numa conhecida gravura de Martin Schongauer sobre o mesmo tema, Noli me tangere, mas resolveu alterar o fundo da paisagem acrescentando nele a imagem do túmulo vazio.
Desconhecendo-se a sua colocação na Igreja, a Aparição de Cristo a Maria Madalena era um dos painéis que decoravam as capelas laterais da Igreja de São Francisco de Évora juntamente com Nossa Senhora das Neves (MNAA), Nossa Senhora da Graça com o Menino entre Santa Julita e São Querito (MNAA), O Profeta Daniel Julgando a Casta Susana (Museu Regional de Évora), Pentecostes (MNAA) e São Cosme, São Tomé e São Damião (MNAA), todos eles marcados pela monumentalidade das figuras principais próximas do tamanho real.
Capela dos Discípulos de Emaús
Discípulos de Emaús é uma das primeiras aparições de Jesus após a ressurreição, logo após a sua crucificação e à descoberta do túmulo vazio. Tanto o "Encontro na estrada para Emaús" quanto o subsequente Jantar em Emaús, que relata uma refeição que Jesus teve com os dois discípulos após o encontro na estrada, se tornaram temas muito populares na arte. Adicionalmente, o evento se tornou um ponto de inspiração para batizar diversos movimentos religiosos, serviços e atividades cristãs.
O episódio está descrito em Lucas 24:13–35, onde se lê também a expressão “fica conosco, Senhor” (em latim: Mane nobiscum Domine), que inspirou diversos textos, orações e canções.
Capela da Ascensão
A Ascensão de Jesus foi um evento na vida de Jesus relatado no Novo Testamento, no qual Jesus ressuscitado foi elevado ao céu com seu corpo físico, na presença de onze de seus apóstolos, ocorrendo no quadragésimo dia após a sua ressurreição e foi exaltado como Senhor e Cristo, sentando à direita de Deus. Na narrativa bíblica, dois anjos aparecem aos discípulos e lhes informam que a segunda vinda de Jesus irá ocorrer da mesma forma que a sua Ascensão.
Os evangelhos canônicos incluem duas breves descrições da Ascensão de Jesus, em Lucas 24:50–53 e Marcos 16:19. Uma descrição mais detalhada da ascensão corporal de Jesus às nuvens aparece em Atos 1:9–11.
A ascensão de Jesus é professada explicitamente no Credo Niceno e no Credo dos Apóstolos, que afirmam que a humanidade de Jesus foi levada ao céu. A Festa da Ascensão é celebrada no quadragésimo dia após o domingo de Páscoa(sempre uma quinta-feira), é uma das principais festas do ano cristão e remonta pelo menos ao final do século IV. A Ascensão é também considerada como um dos cinco grandes marcos da narrativa evangélica sobre a vida de Jesus, juntamente com o batismo, transfiguração, crucificação e ressurreição.
Já pelo século VI, a iconografia da ascensão de Jesus tinha se estabelecido e, no século IX, as cenas da ascensão passaram a ser representadas nas cúpulas das igrejas. Muitas cenas da ascensão têm duas partes, uma superior (celeste) e uma inferior (terrena). Jesus ascendente aparece geralmente abençoando com sua mão direita apontando diretamente para a terra, para o grupo de pessoas abaixo dele, o que indica que ele está abençoando toda a igreja.
Fonte de São Mateus
Na fonte de São Mateus, a água jorra pela boca de um anjo, e possui a inscrição: "Liber generationis Jesu Christi fill David fill Abraham. Math. C. IV, v. 1." ("Livro da geração de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão.")
Fonte de São Marcos
Na fonte de São Marcos a água jorra da boca de um leão e possui a inscrição "Sicut scriptum est in Isaia propheta... vox clamantis in deserto. Marc. C IV, v. 2, 3." ("Conforme está escrito no profeta Isaías... voz do que clama no deserto.")
Uma inscrição gravada atrás do pedestal da estátua do evangelista recorda a ação de um dos maiores benfeitores do Santuário: "Ano de 1767 sendo zellador e bemfeitor Manuel Rabello da Costa".






































































